Um pouco de "contracultura" por que não?

O que é "contracultura"?

A contracultura é uma manifestação que floresce sempre e onde quer que haja, membros de alguma sociedade, que escolham estilos de vida, expressões artísticas, formas de pensar e comportamentos diferentes dos demais, e que de uma certa forma, possam significar um desejo de mudança.


Bonjour mon cher's ...

Hoje 13/07 é conhecido mundialmente como dia do rock. Muitos dizem que foi nesse dia há exatos  sessenta e dois anos que Elvis Presley teria pisado pela primeira vez em um estúdio musical  para gravar suas canções.  Também nesse mesmo dia no ano de 1985 acontecia o grande evento musical  Live Aid que contou com a participação das bandas Queen, U2, David Bowie, Phil Collins, Bob Dylan entre outras lendas do rock.  Mas antes de começar falando do assunto do café de hoje... Impactar com o título só um pouquinho, e dissertar sobre uma assunto tão velho, mas que se faz tão presente todos os dias, principalmente nesse mundo onde nos encontramos com tantos grupos sociais, rótulos e divisões, não é mesmo? 

O que o ROCK tem a ver a ver com a questão "contracultura"? Pois é tudo... 

Para a base dessa conversa percebe-se três temas fundamentais: contracultura, juventude e o bom e velho rock and roll. Falar de contracultura é indiretamente abraçar a juventude, que, por sua vez, é a unidade básica do rock. Por isso é necessário delimitar esses conceitos, para chegar no nosso dia 13 de Julho hehe. O termo "contracultura" foi usado, em princípio, pela imprensa norte americana, lá no início da década de 60, com o objetivo de identificar grupos de jovens, que tanto no exterior (a forma de se vestirem), quanto na sua forma de pensar, que diferiam das "normas" sociais e culturais vigentes. Relembrando um pouquinho de história, pra ser mais exato, o embrião deste movimento teve início no pós Segunda Guerra, onde a prosperidade econômica dos Estados Unidos, trouxe maior oportunidade de emprego e famílias de classe média do país, começaram a se desenvolver - com muito apoio e propaganda do governo da época - o estilo de vida americano. 

A família era vista como núcleo e se findavam no consumismo e na valorização da moral e bons costumes. Houve a melhora de renda do trabalhador mediano do país, o que provocou o aumento do número dos jovens nas escolas e universidades, o que seria um espaço propício para a troca de idéias e os questionamentos. Espaços estes de aglomeração da mesma faixa etária, que favoreceu o fortalecimento da identidade grupal e consciência coletiva de si. É nessa época que surge a Geração Beat, que para melhor exemplificar essa geração e seus ideais, Jack Kerouac deixa explícito em suas obras, principalmente no livro "ON THE ROAD", que também tem o filme. Vale a pena conferir.

Com tantos ideias "percebidos" naquela época, de um lado os agentes da contracultura, que mesmo dentro dela, recebiam cargas "impositivas" de ideias de superioridade cultural, e criaram suas próprias concepções - ou anti cultura - juventude norte americana da década de 60, tecnocrata. Do outro as esquerdas que não tinham um plano de luta contra esse tipo de grupo social "criado". Como eles lutariam então contra a ordem, eficiência e racionalidade? Seu inimigo era o capitalismo, e não a sociedade industrial. Os jovens "revolucionários", não tinham a que recorrer. Então passaram eles mesmos a se questionar, construir uma nova sociedade menos racionalista, em um nível psíquico - mesmo que de certa forma, pudesse ocorrer alguns desdobramentos sociais concretos - mas esse não era o intuito. Não tinha nada a ver com política, instituições, partidos, mas sim com a sua consciência. Por isso movimento CULTURAL. E ai que entra a contracultura e início da famosa frase "sexo, drogas e rock n' roll", porque nada mais os estimulariam do que as drogas, sobretudo o LSD.

Esse posicionamento tal como um estranho dentro da sociedade, é um fator de contribuição, tanto para a inquietude juvenil, quanto para os grupos e indivíduos que vivem à margem da sociedade, como os intelectuais independentes, poetas, artistas, músicos, etc... A "indústria do jovem". Um bom exemplo dessa "indústria do jovem" é a própria história dos Beatles, que surgiu em função da nova onda musical nos primeiros anos da década de 60, quando a banda ainda se chamava Quarry Men. Fora outras tantas que tiveram seus contratos assinados e produtos comercializados para quem quisesse ser como eles, como jaquetas de couro, brilhantinas, calças justas, botas, carros, etc... Tudo isso fazia parte do cenário do que era ser jovem.

O rock n' Roll hoje com seus setenta e "bolinhas" de idade, talvez seja o estilo musical com a maior capacidade de unir massas de diversas áreas, em uma única e real linguagem de expressão e sentimento, deixando os espectadores, eufóricos e hipnotizados. Ah quanta alegria, tristeza, melancolia em uma junção de acordes e rifs não é?


Talvez a maior característica do rock seja a ousadia, uma forma de fazer criticas ao sistema  quando não concordamos  com as ideologias que nos são apresentadas. Esse sim é o grande segredo do estilo, enfrentar  frente a frente o status quo, um grito da resistência para aqueles que pensam ter o poder. Como diria Neil Young "continue agitando num mundo livre’’. (Rockin in the free world).

Como disse já o artista Eriberto Leão no programa super star "A contracultura quando entra na minha vida, modifica minha maneira de pensar, de ver os livros que eu gostaria de ler, e pra mim a salvação da humanidade está na contracultura, por isso que o rock n' roll é a salvação, e o rock n' roll não é só um estilo musical, é uma POSTURA." O diferente as vezes assusta, mas não é por isso que esteja errado. Viva a sua autenticidade, viva a sua maturidade, viva a sua liberdade.

Agradecimentos ao meu amigo Henrique Yoshi pela colaboração de uma linha do tempo do nosso bom e velho rock n' roll.


JULIANA RODRIGUES |




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