Procurando o que escrever, me deparei com uma discussão feita na época de faculdade. Lendo os textos antigos (2015), resenhando inúmeras ideias, vi que seria um assunto legal para um post. Discutir sobre a moradia contemporânea e as relações com o morador.
"Ah! Não há nada como ficar em casa para ter verdadeiro conforto." - Jane Austen com a personagem EMMA, em "Orgulho e preconceito."
Dou início a conversa com a frase literária acima, para enfatizar o que hoje tanto se discute, ao se projetar, uma edificação de moradia. Conforto.
E o que seria possuir conforto? Conforto, no sentido etimológico da palavra, é o ato ou efeito de confortar. Significando, possuir comodidade material, aconchego, sensação de bem estar. De acordo com Rybczynski, o "bem estar" é uma necessidade humana, e o conforto, uma condição para alcançá-lo.
Acredito que ao se pensar em determinados espaços, tais devem ser projetados de forma a cumprir, os objetivos pré-determinados, ou seja, se o objetivo fundamental é o de torná-los habitáveis, proporcionar conforto, deveria ser sua principal característica. Em um espaço contemporâneo, o conforto já se tornou prioridade. Morar bem caiu no conceito de se ter conforto, pouco importando de que maneira isso será alcançado.
E para se discutir as condições de um espaço contemporâneo, é preciso observar e entender o esboço genealógico da própria habitação, onde as noções de intimidade, privacidade e, sobretudo o conforto, acontecem.
Nesse "mundo" onde os veículos de mídias, tecnologia, tomam certo espaço e tempo, a arquitetura recebe uma nova visão, já que a sociedade vem moldada em um leque de "possibilidades" de criação, dificultando por vezes, o papel do arquiteto. Onde de todo o contexto histórico e evolutivo, chegamos a uma "era", em que as informações são transmitidas de maneira mais rápidas e flexíveis, por consequência, o morar também se torna flexível.
Tenho espaços que a finalidade é a mesma, mas a funcionalidade às vezes não. Exemplificando, os ambientes dispostos tem a característica que lhe são impostas, mas o uso nem sempre se dá o mesmo. Posso ter um ambiente pra descanso (dormitórios), mas ao mesmo tempo ele me “serve” de um Office, de cozinha, lugar pra estudos etc. Sem contar que aquilo que é folheado em revistas, sites, de arquitetura, decoração, jardins, etc, caem no "gosto popular", fazendo com que os leitores dessas mídias, queiram aquilo, mas o que serve pra um, nem sempre serve pra outro.
Tudo isso e mais, se dá com reflexos inevitáveis no modo de vida dessa população, que acarreta mudanças no comportamento e no cotidiano das pessoas. E o que era um dia "tradicional", se torna globalizado. Posto este cenário, as transformações causam também, mudanças no modo de morar, e por consequência, na configuração dos espaços residenciais contemporâneos.
O fato é que a forma como vivemos hoje (século XXI), mostra mudanças bem visíveis em relação como vivíamos no final do século XX. Diferenças essas, que materiais e equipamentos nos projetos, fazem perceber uma busca por inovações, e que o mercado tem à disposição, diversas opções que são prontamente adotadas pelos designers e arquitetos.
As demandas contemporâneas por acessibilidade e sustentabilidade, também chegaram ao espaço doméstico, e a pauta das preocupações dos profissionais da área, como a utilização de materiais, que visam minimizar o impacto no ambiente.
O que leva a concluir, é que há um problema que então se define, o de saber qual seria o papel e quais as características, possibilidades, até limites, que essa arquitetura chamada contemporânea, pode desempenhar nesses novos “lugares”, que por sua vez a vida cotidiana segue nestes, se desenrolando.

