"O tempo entre o sopro e o apagar da vela" - Paulo Leminsk
De costas eu sorri pro mundo, espelhei todos os sentidos mudos em uma vastidão de dizeres e aprendizados. Aprendi e reaprendi a sorrir em cada tropeço. Fiquei estática diante de situações que me brecaram. Mergulhei em um mar de emoções e sensações. Senti medo... arrepio... frio na barriga... congelei. Olhei pro alto e a vista era linda. Tive medo... e como tive. Tentei... consegui... tentei de novo... e ainda tento. Decorei cada caminho, para nunca esquecer de voltar. Habitei milhares e milhares de mundos, e em cada página me renovei. Sonhei. Apaixonei. Travei. Me libertei. Colecionei sorrisos, abraços, frases e enredos. Terminei um livro. Comecei um acorde. Dirigi um espetáculo de 24 atos. E o tempo simplesmente fez questão de correr. Quando dei por mim, tava aqui, sentada na varanda, esperando o tic tac dar uma pausa. O tempo entre o assoprar e o apagar da vela, só dita a quantidade de páginas a desenhar ainda. Enquanto isso, agradeço a cada sopro que a vida me permitiu dar.
Au revoir

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