Entre notas e linhas

Me arrisco ao equilibrar sobre o risco. 
Existe um risco. 
Existe uma forma. 
Um pedaço de papel, que eu apenas vesti. 
Propus ali então a traçar, preto em branco, 
lápis no lugar.
Rabisco por traços, a montagem de um retrato. 
Dou por mim a desenhar-te... qualquer coisa... 
um esboço, rimas soltas, linhas a se despregar. 
Tentei até colorir o céu de outra cor, 
mas são os seus traços que eu sei de cór. 
Nas mais puras linhas um dia te desenhei.
Sonhei. 
Esqueci, te conheci. 
Entre as portas, um harmônico rosto, 
que assim pronuncia: logo existe o meu espaço. 
Eu toco então aquele rosto, este rosto, ah! 
Aquele rosto. Que eu toquei com o carvão, 
rasgando esta folha, debruçando em canções, 
me estasiei. 
Me mostrou as tuas rimas, tuas notas e linhas, 
na sua vasta coleção de melodias. 
Digo o teu nome. Mas que nome? 
Ao menos sei tocar o lábio inferior, 
pra dizer qualquer pronome. 
Escuto as tuas marcas, 
que soam com a mesma proposta. 
De que hoje não invento-te como eu quero, 
como eu gosto. 
Te redesenho com as notas sem exageros, 
e guardo aqui seus apelos, 
disposto. 

JULIANA RODRIGUES |
CAFÉ ROSA |


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