Pular para o conteúdo principal

Entre notas e linhas

Me arrisco ao equilibrar sobre o risco. 
Existe um risco. 
Existe uma forma. 
Um pedaço de papel, que eu apenas vesti. 
Propus ali então a traçar, preto em branco, 
lápis no lugar.
Rabisco por traços, a montagem de um retrato. 
Dou por mim a desenhar-te... qualquer coisa... 
um esboço, rimas soltas, linhas a se despregar. 
Tentei até colorir o céu de outra cor, 
mas são os seus traços que eu sei de cór. 
Nas mais puras linhas um dia te desenhei.
Sonhei. 
Esqueci, te conheci. 
Entre as portas, um harmônico rosto, 
que assim pronuncia: logo existe o meu espaço. 
Eu toco então aquele rosto, este rosto, ah! 
Aquele rosto. Que eu toquei com o carvão, 
rasgando esta folha, debruçando em canções, 
me estasiei. 
Me mostrou as tuas rimas, tuas notas e linhas, 
na sua vasta coleção de melodias. 
Digo o teu nome. Mas que nome? 
Ao menos sei tocar o lábio inferior, 
pra dizer qualquer pronome. 
Escuto as tuas marcas, 
que soam com a mesma proposta. 
De que hoje não invento-te como eu quero, 
como eu gosto. 
Te redesenho com as notas sem exageros, 
e guardo aqui seus apelos, 
disposto. 

JULIANA RODRIGUES |
CAFÉ ROSA |


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OMG, I'm So Retrô

Bonjour mon cher...
Ah quanto tempo não me inspirava de postagens, filmes, videos, fotos, músicas etc... Mas hoje dia após feriado, em casa (uma folga da correria enfim da "arquitortura"), abro o spotify como de costume para escutar músicas, e o aplicativo me sugere uma playlist, cujo nome um tanto inspirativo "JUNKEBOX BURGUER", sim daquelas lanchonetes retrôs décadas 30,40,50,60, onde se tinha uma caixa "gigante" de fazer música, mobiliários da época, e ali se fazia o point da juventude. E começo escutar Elvis Presley, Chuck Berry, Roy Orbison, Ritchie Valens... E a cena começa vir na cabeça, vestidos, estampas, mocassins, suspensórios, óculos aviadores, as Kombis coloridas, os "possantes" dos meninos pra impressionar as meninas, laquês nos topetes, sorvetes coloridos, entre tantas cenas que meu coração adoraria ter vivido. É essa foi uma boa fonte de inspiração, mas se não bastasse músicas, ontem quinta, (04/06/2015) assisti a dois vídeos de …

Á tua vista

O que esconde meus olhos que a primeira vista se fez poema? decorado, escolhido, recolhido em teorema.  Que atravessou o palco, pulando descalço. Sentado mesmo, um pedaço eu calço. Testemunhou... a alma bateu. Piscou... Alcançou. Passou e ai vou eu. Ah se eu tivesse mais  vinte segundos, pertencer além-mundo. Coragem buscaria, e aquele timbre eu levaria. Ah se naquela cena  pudesse voltar, mapearia cada hora  só pra te buscar. Talvez ao deleite de apenas estar, soluço alguns passos traçados em paz.
"A GENTE SÓ PRECISA DE 20 SEGUNDOS DE CORAGEM."  (Filme Compramos um zoológico)
Au Revoir
CAFÉ ROSA Juliana Rodrigues

É "a vida é um sopro"

(foto: autora)
Sabe aquela pergunta clichê de toda reflexão: QUANTO TEMPO AINDA TEMOS PARA VIVER? De certa forma, esta é uma pergunta que nem merece resposta. Pode ser que nem eu consiga terminar este texto... Ou pode ainda ser, que você consiga lê-lo de maneira exaustiva. O fato é que, temos o tempo suficiente para estarmos aqui... vivendo... conhecendo... aprendendo... Se ele é muito ou pouco, para mim não importa. O tempo é relativo, a cada grau de importância em suas fagulhas. O tempo é quem dita a validade dos seus aprendizados, amadurecimentos, crescimentos, escolhas, atitudes e até mesmo e por que não, pessoas.   
Se de cada experiência adquirida nas janelas da nossa vida, além de subirmos de level e avançarmos para a casa seguinte, levássemos em pedacinhos de memórias, os sorrisos, abraços, beijos, acolhidas, conversas de estrada, paisagens recortadas nos km rodados por ai, os olhos que sorriem pra alma, as músicas que embalaram cada chegada e despedida, somariam todos os milési…