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Café Rosa




Desabastecimento em larga escala, filas enormes em postos de gasolina, aulas suspensas, prateleiras vazias em mercados, e um desespero contínuo em busca de mobilidade. As imagens vistas de manifestações pela busca de redução de preços do diesel, evidenciam o quanto a mobilidade é dependente do combustível fóssil. Manifestações estas, travada pelos caminhoneiros, nos relata que não se pode mais pensar em mobilidade, tendo como única alternativa, os sistemas dependentes de combustíveis fósseis. É fundamental dotar as nossas cidades, de uma rede integrada de transporte, sejam eles sobre trilhos, como estruturadores dos grandes fluxos, e/ou o uso de bicicletas, tornando plausível o direito à cidade.

De início se faz necessário uma distinção entre os conceitos de mobilidade e de transporte, para melhor compreensão do tema e de possíveis alternativas. Pode ser entendido como transporte, o deslocamento de pessoas, mercadorias, com o uso de meios de locomoção, individuais ou coletivos. Enquanto a mobilidade urbana, nada mais é que a característica do território, em relação à acessibilidade a diferentes áreas de uma cidade, bem como a sua estrutura, resultante de uma reunião de políticas de transporte, de circulação, de acessibilidade e de trânsito, além de demais políticas urbanas, com a finalidade primária de priorizar o indivíduo, quanto as suas necessidades e anseios.

Tal diferença, dá a oportunidade de destacar a possibilidade de uma mobilidade sem transporte, e também por outro lado a existência de meios de transporte sem mobilidade. Isto é, quando as pessoas têm suas necessidades providas nas imediações de sua moradia, a mobilidade pode ser dada a pé, sendo assim os meios de transportes, motorizados ou não, são menos essenciais para a sua locomoção. De modo igual, os meios de transporte podem ser onerosos em certas situações, já que muitos não possuem condições de acesso, obstando assim a tal mobilidade, a uma parte da população.

Com a procura de agilidade e conforto nos deslocamentos, o número de transportes particulares, foi aumentando progressivamente. Dessa forma, as vias vieram a se tornar insuficientes, vez que não houve ampliação simultânea ao crescimento da venda de automóveis, restando pouco espaço para os pedestres e ciclistas, trafegando nos meios urbanos em congestionamentos, acidentes e um alto descômodo no uso das vias públicas. No entanto a questão de mobilidade urbana vai além do congestionamento. A acessibilidade igualitária, os espaços para transportes alternativos, o transporte coletivo de qualidade, as tarifas e a uso de outros modais de transportes, são elementos significativos da circulação das pessoas, os quais se referem à mobilidade urbana.

Este tema vem sendo cada vez mais debatido, provocando até mesmo manifestações populares brasileiras, com ênfase nas tarifas de transportes em 2013, até chegar na atual crise de combustível. Ambos movimentos estão relacionados a transportes, falando de custos, em cuja composição o óleo diesel é parte importante tanto das tarifas de ônibus, quanto do custo do frete de cargas. As duas situações, encaram a fragilidade das políticas públicas, do planejamento e das regras tributárias, revelando a força de novos atores sociais e sua falta de confiança nos “tomadores de decisões”.

Voltando mais um pouco, em 2001, o apagão da eletricidade revelou nossa profunda dependência das usinas hidrelétricas, e hoje, 2018, a crise do diesel também revela essa dependência, já que sem os combustíveis fósseis, cargas e pessoas perdem a mobilidade em nossa sociedade. Se ainda é difícil compreender que o quadro socioeconômico que gerou a greve dos caminhoneiros, está associado ao locaute das empresas de transporte rodoviário, não é difícil perceber que ele exige saídas sustentáveis (e não a repetição do mesmo modelo). A longo prazo, estas possibilidades, passam necessariamente pela incorporação do planejamento do país, de uma racionalidade que permeia o acordo de Paris, pelo clima do planeta, que tem a intenção primordial a descarbonização da economia, isto é, acabar com a dependência dos combustíveis fósseis.

A mobilidade urbana é um desafio das grandes cidades, é uma preocupação das médias e é uma forma de prevenção para as pequenas. Visto que pensar nesta mobilidade de forma a tornar o trânsito mais coeso e fluente, é também pensar em um desenvolvimento sustentável. O futuro da mobilidade não está na bicicleta, no carro, no ônibus ou em qualquer modo de transporte, mas na integração entre eles. Por hora o desafio de convivermos e sermos resilientes a essa atual situação, é que encontremos alternativas viáveis e cabíveis, para contornar a falta de combustíveis fósseis, como até hoje, sendo a maior fonte de locomoção. Sejam estas alternativas de adotar o uso da bicicleta, transportes de trilhos, elétricos, o importante é que não deixe de ser pauta nas discussões e de possíveis ações, para o avanço econômico, social, sustentável e viário, do país.


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Dou início a conversa de hoje com a frase do saudoso Le Corbusier que dá todo o sentido do assunto a ser tratado nesta mesa de café... "A arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes reunidos sob a luz." 


E no meio da selva dos arranhas-céus da Cidade de São Paulo, a admiração toma conta sob o olhar do jogo sábio da luz e da sombra entre arquitetura, natureza, superfícies, volumes e humanidade. Mas minha maior conotação está nas falhas (não necessariamente no sentido literal da mesma), mas nas brechas onde a arquitetura permite que a luz brinque mais graciosamente. Comecei a perceber isso forte na minha maneira de pensar, quando comecei a estudar e engessei na faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Acredito que as coisas foram feitas para serem vistas sob a luz, nossos olhos foram feitos para ver as formas sob a luz, o jogo de luz e sombras, as superfícies, os volumes... 



Foto que andando pelas ruas de São Paulo em um dia qualquer, notei por volta das 15 horas e 30 minutos a incidência da luz solar entre a diferença de estilos históricos dos edifícios, se fazendo presente na Rua Alvares Penteado, São Paulo, perto do Centro Cultural Banco do Brasil. Gosto dessa foto porque ela mostra exatamente a importância da luz e sombra na arquitetura. O sol bateu e diferença de altura dos elementos causou esse efeito magnifico. Amante pela fotografia e pelos detalhes costumo enxergar coisas e tirar proveito de tudo que está a minha volta. A luz e a sombra, são os elementos básicos para produzir o efeito de Volume nos objetos. A técnica  do chiaroscuro (claro e escuro) foi desenvolvida principalmente por Da Vinci no alto renascimento (século XVI), quando os artista e arquitetos desenvolveram consideravelmente as técnicas de representação aplicadas à arte e à arquitetura.


O volume em um determinado trabalho depende da luz, e por consequência das sombras que este produz. A definição correta do volume de um objeto, se dá através da valorização exata das intensidades de suas sombras. 




Uma vez que a arquitetura trabalha com as formas, logo a percepção destas formas será revelada pela luz, da mesma maneira em que a arquitetura e o seu meio inserido, será capaz de nos revelar a luz, esculpindo-a. 

A relação entre cada parte no espaço é importante para informar à nossa percepção a construção visual do lugar, estabelecendo relações entre a luz e os elementos arquitetônicos envolvidos, e a sociedade inserida, porque o todo faz parte do TODO. Tudo é um jogo de luz e sombra desde o mais singelo mobiliário urbano até o topo de um "gigantesco" edifício. A forma é concreta e buscar seu fascínio, significa buscar o que é visualmente interessante ou satisfatório. No entanto, o interesse visual atém de se um estímulo da retina raramente inspira o coração, de quem está aberto a observar. O espaço, ao contrário da forma, está relacionado não apenas à visão, à audição e a outros de nossos cinco sentidos, mas também a sensações subjetivas. O espaço é o domínio privado de expressão da arquitetura. Por exemplo em uma simples rua no meio da multidão, podemos observar várias pessoas, cada qual com seu estilo, com seu movimento, mas sem ao menos perceber um dinamismo entre luz e sombra se materializa entre uns e outros, dando o contraste entre as dimensões volumétricas.


A luz ainda definirá diferenças entre interior e exterior, enfatizará conexão ou separação, indicará orientação, definirá áreas com tarefas diferenciadas e poderá sugerir movimento. 



É você quem sente uma reação interna crescer lentamente quando uma ordem geométrica estática adquire uma presença dinâmica em sua consciência. Despertar emoções e sensações é um resultado da arquitetura e da arte. 

Luz e Sombra revelando beleza para poucos. 



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