Pois é, comumente falamos essa expressão, mas poucos conhecem, quiçá sabem do porquê, de onde vem, o que significa.
Vamos voltar à arquitetura colonial portuguesa e seus espaços, é de lá que essa expressão remonta.
Derivada do latim "areae", a palavra eira refere-se a um espaço de terra batida, lajeada ou cimentada, próximo as casas em colônias portuguesas, que ali malhavam, trilhavam, limpavam e secavam cereais. Ao encerrar a colheita, os cereais ficavam expostos ao ar livre e ao sol, para serem preparados para alimentação ou para serem armazenados. Possuir uma eira significava ser proprietário e produtor de terras e bens. Indicando um sinal de poder e status social.
A beira por sua vez era a "aba" da casa, aquela extensão do telhado, que servia para a proteção da chuva. Assim os beirais dos telhados eram adornados em três camadas, a eira, a beira, e a tribeira, sendo que essa última seria o acabamento, a parte mais simples e sem adornos.
Quem era mais abastado podia se dar ao luxo de conduzir a água da chuva em seus telhados, não só nas telhas, mas também para as eiras (pátio interno), por beiras e tribeiras. Assim o recuo ou queda de status social, equivale a "perder as tribeiras". Se a pessoa não apresentasse qualquer qualificação social, "não tinha eira e nem beira".
Da próxima vez que você escutar a expressão "sem eira nem beira", já sabe que está se referindo a quantidade de bens dotados, ou a falta deles.

























































/https://www.repstatic.it/content/localirep/img/rep/2019/06/13/094802423-7fef049a-323a-4c5d-a49a-5e55c1b45630.jpg)